DE PERTO NINGUÉM É NORMAL...
30/04/2004 19:12
POST LONGO COM MENSAGEM NO FINAL

Sabe aquelas pessoas que você vê muito raramente, mas a cada vez que vê sempre acontece alguma coisa curiosa? Pois é, tem essa figura que eu conheci há uns 4 anos no carnaval do Rio, o Carlos. Lembro até hoje das circunstâncias, eu estava esperando o início da Banda de Ipanema com uns amigos, nossos olhares se esbarraram e prontamente ele veio se apresentar.

Tinha um jeito muito extrovertido, agitado e sorridente. Estatura mediana, magro e com rosto estranhamente magnético. Daquelas pessoas que quando te olham e fazem uma pergunta você se sente na obrigação de responder o mais rápido e convincentemente possível, como se estivesse sendo argüido por um animador de televisão. Por outo lado ele sempre dava um jeito de achar estranhas coincidências em tudo. Talvez devido ao clima de carnaval no Rio, ou ao fato de na época eu estar desesperadamente procurando novos amigos por ter recentemente acabado um namoro (ou ainda talvez o tempo se encarregou de transformar todas as minhas memórias em clichês), depois de meia-hora de conversa, já éramos amigos de infância e ele se juntou ao grupo.

Um pouco mais tarde, com todos nós já acompanhando a banda, ele vem me dizer com olhos muito arregalados que o cara com jeito de gringo que eu tinha gostado e flertado à distância estava me seguindo. Esse "gringo" era o Jason. Momentos depois Carlos estava na longínqua areia da praia se confraternizando com outro amigo meu. Mais tarde fiquei sabendo que rolou proposta de casamento, mas o meu amigo não animou. Depois disso fiquei sem vê-lo por anos.

Pois bem, estava eu e o Jason passeando pela Oscar Freire um dia desses quando passa um carro e começa a buzinar desesperadamente. Era o Carlos, que decidiu parar o trânsito para falar com a gente. Insistiu que nós o esperássemos enquanto ele estacionava o carro. Ele estava muitos quilos mais magro, a ponto de assustar. Mas continuava hiperativo e envolvente como sempre.

Nosso papo depois de tanto tempo sem se ver foi no mínimo hilário. Ele estava impressionado em encontrar juntas as pessoas que ele tinha visto se conhecer há tanto tempo atrás, e eu com muita preguiça expliquei que não foi beeeeeeem assim. Anyway, ele parecia muito perturbado com um rolo que não evoluía para lugar nenhum, sendo que mesmo ele não admitindo, estava claro que ele estava bem envolvido. Ele falava o quanto ele gostava do cara, e o quanto o cara não retribuía como ele gostaria. A cada "cai fora" que eu falava, mais ele se convencia de que o cara era o amor da vida dele, pois via na minha história uma esperança para ele. E eu só pensando: "so far, so close". Quando o papo passou a ficar circular, desisti e só ouvi.

Quando estávamos para ir embora, o tal objeto do desejo aparece do outro lado da rua. Ele insistiu para ficarmos e fazermos companhia para ele na frente do outro, mas eu é que não ia entrar nessa. Mas acreditem ou não, a cena resultante foi o Jason me puxando por um braço e o Carlos me puxando por outro. Por mais que eu dissesse a ele que essa cena por si só já teria queimado o filme dele com o tal "rolo", ele não cedeu. Convenci o Jason a ir buscar o carro enquanto eu fazia um pouco mais de companhia para o Carlos. Enquanto eu esperava, o "rolo" começou a levantar acampamento para ir embora. Carlos olhou fixamente para mim e disse "Vem comigo, vamos segui-lo, ele não vai ver a gente". Olhei para ele, ri e respondi "Vai viver a sua loucura, eu fico por aqui". Tentando esconder minha frustração, olhei ele se andando pelo meio da rua se escondendo atrás dos postes e das pessoas.

Entendeu a mensagem edificante por trás do post longo? Se entendeu, por favor me diz qual é. E para quem acha que existe uma grande lógica por trás de todo o universo, o Carlos está esperando você na próxima esquina.
enviada por Antaggio






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